A vida é uma espera
Que aguarda o que vê passar
Os mesmos sentimentos passam
E ficamos nós a esperar
Todos querem a casa cheia
Como algo a completar
E há algo que se incendeia
Se não botamos pra queimar
Se os olhos fotografassem
Já não haveria o que esperar
E o que eles revelassem
Seria a imagem de quem se vê passar
(I.J.S.F., Sóis e Grãos, Patuá, 2019)
https://www.editorapatua.com.br/produto/76732/sois-e-graos-de-irineu-joao-simonetti-filho
Palavra que pena vagamente, vacila, precipita-se no vão do acaso...palavra que vaga, penada, em vão, por acaso...palavra perdida, encontrada, querida, evitada. Palavras nos fazem, erram, consertam...errância concertada: quem somos, onde procuramos, quando encontrarmos...
sábado, 18 de abril de 2020
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
A Pantera
"Seu olhar, de tanto percorrer as grades,
está fatigado, já nada retém.
É como se existisse uma infinidade
de grades e mundo nenhum mais além.
O seu passo elástico e macio, dentro
do círculo menor, a cada volta urde
como que uma dança de força: no centro
delas, uma vontade maior se aturde.
Certas vezes, a cortina das pupilas
ergue-se em silêncio -- Uma imagem
então
penetra, a calma dos membros tensos
trilha --
e se apaga quando chega ao coração."
(Rainer Maria Rilke)
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Emily
"Whether my bark went down at sea –
Whether
she met with gales –
Whether
to isles enchanted
She
bent her docile sails –
By
what mystic mooring
She
is held today –
This
is the errand of the eye
Out
upon the Bay."
(Emily
Dickinson)
"Se ao mar se foi meu barco –
Se enfrentou as procelas –
Se em busca de ilhas encantadas
Abriu as dóceis velas –
Em que místico porto
Está seguro agora –
Esta a missão que têm os olhos
Pela Baía afora."
(tradução de José Lira)
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Pessoa
"Na
VÉSPERA de nada
Ninguém
me visitou.
Olhei
atento a estrada
Durante
todo o dia
Mas
ninguém vinha ou via,
Ninguém
aqui chegou.
Mas
talvez não chegar
Queira
dizer que há
Outra
estrada que achar,
Certa
estrada que está,
Como
quando da festa
Se
esquece quem lá está."
(Fernando Pessoa)
(Fernando Pessoa)
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Emily
"From
us she wandered now a year,
Her
tarrying unknown;
If
wilderness prevent her feet,
Or
that ethereal zone
No
eye hath seen and lived,
We
ignorant must be.
We
only know what time of year
We
took the mistery."
(Emily
Dickinson)
"Ela nos deixou, faz um ano, partindo
Para desconhecida morada.
Se são espinheiros que tolhem seus pés
Ou se é a região etérea,
Que olho algum jamais viu e viveu,
É-nos vedado saber.
Sabemos tão-só, do ano, o período
Sabemos tão-só, do ano, o período
Em que ao mistério nos rendemos."
(tradução de Ivo Bender)
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
Gregório
"Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
Da
vossa piedade me despido;
Porque,
quanto mais tenho delinquido,
Vos
tenho a perdoar mais empenhado.
Se
basta a vos irar tanto pecado,
A
abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que
a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos
tem para o perdão lisonjeado.
Se
uma ovelha perdida e já cobrada
Glória
tal e prazer tão repentino
Vos
deu, como afirmais na sacra história,
Eu
sou, Senhor, a ovelha desgarrada,
Cobrai-a;
e não queirais, pastor divino,
Perder
na vossa ovelha a vossa glória."
(Gregório
de Matos)
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
Emily
"Water, is taught by
thirst.
Land - by the Oceans passed.
Transport - by throe -
Peace - by its battles told -
Love, by Memorial Mold -
Birds, by the Snow."
(Emily Dickinson)
"A água se ensina pela sede;
A terra, por oceanos navegados;
O êxtase, pela aflição;
A paz, pelos combates narrados;
O amor, pela cinza da memória
E, pela neve, os pássaros."
(tradução de Ivo Bender)
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